Saturday, September 27, 2008

O Malmequer e a Rosa

Certo dia num jardim, onde imperava uma Rosa,

Apareceu, muito humilde, um pequeno Malmequer.

A Rosa, virou-lhe a cara e, perguntou desdenhosa:

“Que vento te trouxe aqui, que vens tu aqui fazer?”

 

E a rosa continuou, sempre altiva e orgulhosa:

“Sou senhora de mil cores, a todos falo de amor,

Quando uma prenda vão dar, é a mim, a bela rosa

Que todos pedem ajuda, para uma zanga compor”.

 

Sempre com muito respeito, deixou ele a linda rosa,

Falar, gabar-se, brilhar. Mas por fim, já saturado,

De tanto desprezo e orgulho, o malmequer botou prosa.

 

“É verdade bela rosa, mas é a mim que a mulher

Pergunta, numa ansiedade, se o ser por ela amado,

No fim de tanta promessa, bem lhe quer, ou mal lhe quer.”

 

Maria

 

Até um dia destes.

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Wednesday, September 24, 2008

Outono

Gosto desta estação do ano. Gosto da cor, dos cheiros, de me sentar no meu canto, com uma manta por cima, a ler. Dá-me uma sensação de paz, de tranquilidade, que o calor do Verão, não me dá. Gosto de pisar as folhas doiradas, secas, que estalam sob os meus passos. Gosto de imaginar que, essas folhas, servem de agasalho às terras, até que o Inverno chegue e as prepare, para na Primavera, toda a Natureza rebentar em flores. Gosto do cheiro das castanhas assadas, do cheiro da terra molhada. Gosto das noites longas, do amanhecer difícil, do crepúsculo breve. É, sobretudo no campo que, o Outono é belo. Mesmo com as árvores nuas, as cores tornam-se mais nítidas, mais belas. O ouro seco das folhas, é lindo. Há quem o ache triste, eu não. Melancólico, sim. É a estação da Paz, se a Paz existe. É a estação, em que nos viramos para dentro de nós e, fazemos perguntas.

É lindo o Outono.

Até um dia destes.

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Tuesday, September 23, 2008

Para a Mãe do Humberto

Depois de ter lido a história do Humberto, que o meu amigo Kim publicou, com a delicadeza e a ternura, de que ele é capaz, tenho pensado muito no Humberto e em si, Adília.

Lembrei-me de um texto de um Bispo Chileno, Ramon Angel Jara.

Há muitos anos, num dia da Mãe, meu Pai ofereceu à minha Avó, um prato, com uma imagem de Nossa Senhora com o menino Jesus ao colo. Por baixo tem o tal texto. Por morte da minha Avó, fiquei com ele.

Diz assim:

 

                Mãe

Há uma mulher que tem algo de Deus, pela imensidade do seu amor, e muito de Anjo pela incansável solicitude dos seus cuidados; uma mulher que sendo jovem tem a reflexão duma anciã e na velhice trabalha com o vigor da sua juventude; uma mulher, que, se é ignorante, descobre os segredos da vida com mais acerto que um sábio, e, se, é instruída, se acomoda à simplicidade das crianças; uma mulher, que sendo pobre, se satisfaz com a felicidade daqueles que ama e, sendo rica, daria com gosto o seu tesouro, para em seu coração não sofrer a ferida da ingratidão; uma mulher que, sendo vigorosa, treme com o gemido de um pequenino e, sendo débil, assume às vezes a bravura de um leão; uma mulher que, enquanto vive, não a sabemos estimar, porque a seu lado todas as dores se esquecem, mas, depois de morta, daríamos tudo o que somos e tudo o que temos para a ver de novo um só instante, para receber dela um só abraço, para escutar uma só palavra dos seus lábios.

Dessa mulher não me exijais o nome, se não quereis que cubra de lágrimas o vosso álbum, porque já a vi passar no meu caminho.

Quando crescerem os vossos filhos, lede-lhes esta página, e eles, cobrindo de beijos a vossa face, vos dirão que um humilde peregrino, em paga da sumptuosa hospedagem recebida, deixou aqui, para vós e para eles, um esboço de Sua Mãe.

 

Ramon Angel Jara - Bispo chileno

 

Adilia: Se eu não fosse egoísta, dava-lhe este prato. Não me posso, no entanto, desfazer dele, porque me lembra a minha Avó, o meu Pai e, sobretudo, a minha Mãe. Já nenhum deles vive e, quando olho a parede onde ele está, é um pouco deles, que vejo.

Mas o texto, envio-lho com toda a minha admiração e ternura.

Até um dia destes.     

 

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Monday, September 22, 2008

É assim que te vejo

Quer acredites, quer não, é assim que te vejo, quando fecho os olhos.

Já passaram muitos anos, mas para mim, continuas a ser o puto encantador, esperto, amigo das pessoas, dos cães vadios de Cascais, dos gatos que levavas para casa. Continuo a ver-te, com a mesma ternura e a mesma amizade. Sei que já passaram muitos anos. Tu, já não és o garoto loiro, eu, já não sou “o borracho” que o teu mano mais velho engatou, naquele verão. Sou mais tua irmã que cunhada. Desde que a Mãe morreu, sinto-me, um pouco tua mãe. Sei que também és meu amigo.

Hoje, fazes anos. Não digo quantos. Parabéns, puto loirinho.

Tinha muita coisa para te dizer, mas tu já sabes tudo.

Sabes, por exemplo, que eu e o teu irmão, estaremos sempre aqui, para ti e para o teu filho.

Um beijo.

Até um dia destes.

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Sunday, September 21, 2008

Saudades para João Semana

Não acredito que, a maior parte das pessoas, as mais velhas pelo menos, que não tenha lido, ouvido falar, ou até através de uma série de televisão, não saiba quem foi João Semana. Personagem de “As Pupilas do Senhor Reitor”, de Júlio Diniz, tornou-se o símbolo do médico rural, que sabia de todas as doenças, tentava curá-las, aliviar o sofrimento dos pacientes que o procuravam e, lhe pagavam, geralmente em géneros.

Ontem, lembrei-me dele.

Mais uma vez doente, cheia de dores, dirigi-me ao Serviço de Urgência cá do sítio, na esperança vaga, de encontrar alívio.

Ao fim de cerca de uma hora, atendeu-me um senhor, bem falante, usando um vocabulário rico em termos médicos que, quase sem me deixar falar, me disse: ”Minha senhora, eu aqui, só tenho um estetoscópio, uma caneta e um papel. O que quer que lhe faça, se não tenho análises, radiografias ou outros exames?” Isto tudo, dito com um ar arrogante de quem tudo sabe, mas não quer dizer.

Por fim, já farta de tentar explicar-lhe o que sentia, o que os outros médicos me tinham dito, desisti. Munida de uma receita de um analgésico, saí. Nem forças tive para lhe dizer, o que pensava dele e dos outros como ele.

Lembrei-me, não só do João Semana, como de outros médicos, que conheci pela vida fora e que não eram como ele. Médicos que, tentavam curar as mazelas de corpo e espírito dos que os procuravam. Médicos que, respeitavam os doentes e, lhes davam alguma esperança, com uma palavra amiga. Conheci e, felizmente, alguns ainda existem.

E depois, lembrei-me dos veterinários, onde levo o meu cão. São pacientes, meigos, interessados. Eu pago aos veterinários, é verdade. E estes, não levou o meu marido, anos, a descontar para eles? É este o serviço de saúde, (ou doença) que temos? Vou ficar à espera até dia 10 de Outubro, para ir ao especialista, pago, a ver se termino este calvário. Até lá, continuo encharcada em analgésicos e espero aguentar.

E os outros, aqueles que não podem pagar a um médico particular? Habituam-se às dores, vão esperando por uma consulta no Hospital (talvez daqui a uns anos), quando já não precisarem?

Até um dia destes.       

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Tuesday, September 16, 2008

Um Benfica-Porto em Odivelas

Faz hoje uns quantos anos, creio que nove, estavas cá em casa, Nuno. Quis-te fazer uma pequena festa e, convidei os teus primos, os tios e estava também a tua irmã que, tinha chegado nesse dia da Holanda. Sendo tu do F.C.P. e os restantes, quase na totalidade benfiquistas, fartei-me de gozar contigo, dizendo que ias perder o jogo, por falta de jogadores. Tu, rias-te, dizendo-me que, esperasse para ver o fim do jogo.

Disseste que ias buscar a tua irmã e de caminho, trarias o bolo.

Jantámos, sempre a brincar contigo e, eu nem reparei que, tinhas metido o bolo no frigorifico, sem mo mostrares.

Quando chegou à hora de o comer, foste buscá-lo, entraste na casa de jantar com um enorme campo de futebol, com o emblema do F.C.P. e os onze bonecos vestidos à maneira. Houve gargalhada geral e tu, com o ar mais risonho do mundo disseste: ”Agora vamos ver quem ganha”. É claro, que as gargalhadas redobraram, os brindes a ti, ao F.C.P. e ao Benfica, foram unânimes e tudo acabou bem.

Talvez, tu não leias nunca isto. Talvez, nem já te lembres desse dia.

Eu lembrei-me de ti, dos teus 30 anos e desse dia.

Não importa o que restou para ti, dos 2 anos que cá estiveste. Para mim, ficou a saudade de alguém de quem gosto e que, julguei gostar um bocadinho de mim.

Parabéns. Beijos para a mãe, para a tua mulher e para a tia.

Beijos para ti e o desejo de que sejas muito feliz.

Nós, amigos, até um dia destes.

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Monday, September 15, 2008

O canito foi ao banho

Já não é a primeira vez que, falo no meu cão. É um rafeiro convencido, com a mania que é de alguma raça superior ou, até, que é humano. Está cá em casa, desde que tinha um mês de idade.   
Deram-mo na feira da “Boca do Inferno”, há 10 anos. Alimentei-o a biberon, mimei-o, vacinei-o e tornou-se num membro da família. Era uma bolinha de pêlo castanha, vivo, alegre, meigo, mas cheio de personalidade. Hoje, é um cão mais maduro, com menos energia, come como um desalmado e, tem a mania que, é o dono da casa e dos outros que lá vivem. Adora-nos, mas quando se irrita não é muito de fiar. Com tudo isto, qualidades e defeitos, é hoje o grande companheiro do dono e meu. Sem filhos em casa, fizemos dele, um pouco, o terceiro elo, desta curta cadeia que formamos.

Ora, há uma coisa, que sua exª, não aprecia muito, tomar banho.

Feitios!… Então, é preciso todo um ritual de gestos, frases, promessas de bolinho, para o conseguir meter na banheira. Depois de lá estar, encolhe uma pata, encolhe a outra e, por fim, olha para mim, com uns olhos em que leio: “lá terá que ser, vamos mas é despachar isto”. Deixa-se lavar, apanha com a água do chuveiro em cima e, no fim, quando o embrulhamos na toalha, livra-se dela, sacode-se todo, molhando tudo, incluindo nós e, logo que pode, sai da casa de banho, quase em voo, corre desalvorado pela casa, esfregando-se nas carpetes que vai encontrando e, no fim, reclama a sua recompensa (o tal bolinho). A seguir, deita-se e dorme.

É verdade, chama-se Nabão, este “Cão como nós”. E, eu acho que, ele tem razão: o dono, o chefe da matilha, é mesmo ele.

Até um dia destes.  

 

Posted by Maria in 19:22:49 | Permalink | Comments (6)

Thursday, September 11, 2008

Um outro 11 de Setembro

Há 7 anos, o Mundo inteiro tremeu, com o horror das imagens e relatos, do ataque às torres de Nova Iorque. Eu também. Todos, ou quase todos se lembram bem do que aconteceu. Hoje, televisões, jornais, falaram, mostraram, mais uma vez, toda aquela verdadeira catástrofe que, marcou o início de toda esta era de violência que vivemos.

Mas, não foi, infelizmente, o primeiro 11 de Setembro, trágico para o mundo.

Em 1973, noutro 11 de Setembro, o Chile tinha sido abalado por uma tragédia de que não ouvi falar hoje. Nesse dia, Salvador Allende, o presidente socialista do Chile, foi morto, ou matou-se, deixando o país entregue ao malfadado Pinochet.

Não vou dizer mais nada. Melhor que eu, o fez um poeta, Bosco Sobreira. É ele que vos vai contar, alguma coisa de Allende.


Eterno Allende Eterno

Hasta mañana, viejo compañero
de antiguos dolores hijo y heredero
tan añejos como los blancos pajaros de nieve
que en las gramillas de los Andes anclan
hasta mañana!

(No estoy triste en ese casi medio septiembre
ni lo podria)

Pues más allende de la oscura noche negra
negra mantilla que envolvió tu patria
hay el sendero de
verdes cauces
cauces verdes
donde semillas
de tu verdad viajera
(ubre y sazonado fructo)
hace medrar las rojas hojas
de la libertad.

Hasta mañana, compañero viejo
Hasta mañana!

Bosco Sobreira

Até um dia destes.

Posted by Maria in 21:28:32 | Permalink | Comments (7)

Tuesday, September 9, 2008

UM DIA SIM

Tive um tio que, classificava os dias, em “Dias Sim” e “Dias Não”.

Por esta simples classificação, o meu dia de hoje, foi um “DIA SIM”.

Tudo correu bem.

Tenho cá o meu neto e, logo de manhã, rumamos ao “Jardim Zoológico”. É um sítio onde vou sempre com prazer. Sinto-me de novo criança, acho que chego a divertir-me mais do que os miúdos.

Mas o dia estava destinado a ser mesmo especial.

No caminho, recebi uma notícia que, há muito esperava. Não, não foi o Totoloto, foi melhor. Depois de meses de ansiedade, de dúvidas, de desânimo, a minha filha, tinha emprego. Ela ficou muito feliz, mas eu e o Pai, ficámos tão felizes como ela. Se me leres, minha querida, fica a saber que a mãe, que já não chora de dor, afinal, ainda consegue chorar de alegria. Depois do telefonema, tudo era mais bonito. Fiz as pazes com o novo Zoo, tão diferente do meu velho e querido “Jaleco”, ri e bati palmas, como uma garota, a ver os golfinhos.

Saber os filhos, netos e todos que amo, bem, é sem dúvida, o meu “Euromilhões”.

Hoje, foi mesmo um “DIA SIM”, assim com maiúsculas e tudo.

Amanhã, será outro dia. Veremos o que será. Mas o de hoje, já ninguém pode tirar-mo.

Até um dia destes. 

 

Posted by Maria in 21:17:36 | Permalink | Comments (11)

Sunday, September 7, 2008

“Paris é uma Festa”

Foram 8 dias de descobertas, de sonhos tornados realidade, de encher os olhos com as maravilhas da mais bela cidade do mundo. A cidade, que eu idealizara de menina, a cidade, que eu julgava conhecer através dos livros de Zola e, dos filmes, a cidade, para onde tantas vezes desejei fugir, nos anos 60.

Quando lá cheguei, vi que tudo o que tinha idealizado, era melhor, mais belo, mais imprevisível. O quarto de hotel em que fiquei, tinha janela para o Cemitério de Montmartre.  Nunca tive medo de cemitérios, mas também nunca pensei morar ao lado de um. Aquele, porém, é diferente. Tem árvores, relva, flores e… artistas.

Artistas, de que ouvi falar, pessoas que admirava e, que por uns dias, iam ser meus vizinhos. Levanto-me sempre cedo. A primeira coisa que fazia era ir à janela, fumar o meu 1º  “Gauloise” e dar os bons dias aos vizinhos. Depois do pequeno (grande) almoço, saíamos, para percorrer em 8 dias, tudo o que o meu irmão sabia que, eu mais queria ver. É difícil dizer o que gostei mais. O “Louvre” esmagou-me, a “Sainte Chapelle”, fez-me chorar, as vinhas de Montmartre, encantaram-me, a Place du Traitre fez-me desejar ter 20 anos e ficar ali, vendo os lilases, que ainda existem, o “Pantheon” mostrou-me onde estavam os meus queridos escritores.

Um dia e uma noite, foram dedicados a um Paris mais turístico. Às 17-30, saímos num autocarro que deu a volta por Paris, mostrando “À vol d´oiseau” as ruas, os boulevards. Por volta das 20-30, chegamos à “Tour Eiffel”, onde jantámos. Depois, já noite, passeio de barco pelo Sena, vendo bem, porque chamam a Paris, “Cidade Luz”. A seguir, apanhámos de novo, o autocarro que, nos levou ao “Moulin Rouge”. O espectáculo era soberbo. Cenários, vozes, encenação, tudo me parecia um sonho. Chamava-se “Féerie” e, segundo parece, ainda lá está. Foi o fim de um dia e uma noite perfeitos.

Saudade, é isso que sinto hoje. Mas vou voltar. Eu sei, que não foi “A ultima vez que vi Paris”. 

Até um dia destes.   

Posted by Maria in 20:47:29 | Permalink | Comments (4)