Sunday, October 26, 2008

Diz que é uma espécie de sáurio

Antes de mais nada, tenho que, fazer dois avisos: 1º Isto vai ser longo; 2º Talvez, seja a última vez que escrevo. A minha vida depois do que vou contar, corre sério risco.

Posto isto, passo ao cartão de identidade da simpática heroína.

Classe: Reptilia

Ordem: Squamata

Subordem: Sauria

Família: Gekkonidae

Nome: Hemidactylus frenatus

Nome comum: Osga ou Jeco

A foto vem acima (como podem ver  é um animalzinho, podre de belo).

Toda a minha vida detestei, animais rastejantes, ou seja, répteis. Não é propriamente medo, é nojo, é um arrepio que, me sobe pela espinha, chega à garganta e, sai sob a forma de grito. Dantes era pior. Ficava paralisada, não sabia o que fazer. 

Tenho a “sorte”, de viver no último andar de um prédio e, ter uma varanda. No telhado, moram “elas”, as osgas. De vez em quando, fazem umas incursões, na parede exterior, para apanhar sol.

O meu marido e os meus filhos, adoram-nas. Fotografam-nas, observam-nas, dizem que elas são lindas, inteligentes, tentam livrá-las de todos os perigos, (empregada, vassoura, ou outros).

Eu, que ainda tenho algum amor à vida, depois de gritar, limito-me a esperar que, me livrem da presença do “simpático” animal.

Os meus filhos, há uns anos, tiveram duas, a passar o inverno num aquário fechado, no quarto deles. Alimentavam-nas, falavam com elas e… limpavam o quarto que se lixavam, porque eu não entrava lá.

Ora, este verão, as osgas abusaram. Não se limitaram a andar pela varanda, acharam o interior da casa agradável e, uma bela noite, quando me deitei, vi no teto, aquilo que me pareceu um crocodilo. Soltei o grito da ordem e, lá veio o defensor dos animais, tentar agarrar delicadamente, para não lhe cair a “caudinha”, para não ferir, a “patinha” (chamar patinha, aqueles dedos horrorosos, é cómico), enfim, para não magoar física ou moralmente o adorável “sauriozinho”.  Na manhã seguinte, a empregada, foi à varanda e, voltou com um ar, um tanto ou quanto trocista. “Oh patrãozinho! Olhe que, está uma das suas amigas afogada, no balde do Nabão!” disse ela. Explicação necessária: O balde do Nabão, é um balde com água e lexivia que, está na varanda e serve para limpar os chichis, do dito Nabão. Esclarecido este ponto, vamos à história. O homem corre à varanda, enfia a mão no dito balde, tira a osga, passa-a por várias águas limpas e deita-a ao sol. E não é que, a gaja daí a nada, já estava a trepar a parede!

No dia seguinte, repetiu-se a mesma coisa. Eu ainda alvitrei que, se calhar o bicho estava farto da vida e, tal… Salvou-a outra vez.

Passado um bocado, vou à varanda e, deparo-me com uma tampa de um frasco, cheia de água. Explicação: a osga tinha sede, por isso é que, ia ao balde. Confesso que, fiquei à espera de, no dia seguinte, ver a osga no balde. Não estava. E a tampa tinha menos água.

Se eu sobreviver a isto, talvez um dia, volte a falar do assunto. Por hoje, já estou suficientemente arrepiada, de falar nestes lindos, interessantes e inteligentes sauriozinhos.

Até um dia destes, sem osgas.
 

Posted by Maria at 11:00:21
Comments

11 Responses to “Diz que é uma espécie de sáurio”

  1. Olá Maria!

    Eu também tenho um certo receio de animais rastejantes e só de ver a foto e ler a história também me arrepiei e o mais certo é ficar a pensar na osga o resto da noite.
    E como diz a Maria, até breve, mas sem osgas!
    :-)

  2. Anonymous says:

    Olá Luís!
    Neste momento, para meu sossego, as osgas estão a hibernar. É a única coisa que, admiro nelas. Gostava de fazer o mesmo. Detesto o frio.
    Até breve
    Maria

  3. carla mar says:

    Querida Maria:

    Tenho PAVOR.
    Não suporto estas bicharocas.
    Ás vezes, encontro uma… gigantesca (parece um dinossauro!), no terraço do meu condomínio :s
    No jardim, da casa dos meus pais, na Parede… existe uma colónia, destas malvadas!
    A Parede é conhecida pela terra dos osgas… e o estoril, o vale das osgas.
    Sal… resulta. Explodem ;)

    Beijinho meu :)

  4. Anonymous says:

    carla mar,
    O pior é que, eu não posso fazer nada, contra estes monstros que, às vezes até me tiram o sono.
    O pai e os filhos, adoram-nas.
    Felizmente, elas hibernam. Agora vou ter alguns meses, sem medo de ir à varanda, ou olhar para o teto e, ter uma, a olhar-me com ar de quem está a gozar comigo. Se Deus fez tudo bem feito, quem inventou as osgas?
    Beijo
    Maria

  5. carla mar says:

    Olhar, para o corcodilo da foto, fez-me pensar que no Minho é bem pior. As osgas são lagartos… verdes e com uma mancha azul na cabeça! HORRIVEIS. Grandes. Muito grandes.
    Um dia, estava eu, os meus amores e o meu defunto ex marido, na casa do Minho, em vila Praia d`Âncora… a mesa estava pronta. O jantar acabado de fazer… e o pai das crianças a dizer-me que tinha visitas na varanda!… perguntei quem era :) respondeu-me, que era melhor eu ir recebe-los lá fora. Feita parva, fui. Quase morri. As crianças, vieram em meu auxílio com as chaves do carro. Fugimos. Fugimos tanto… que só parámos na Parede :)
    … Depois, telefonámos á avisar o pai onde já estavamos! com a pressa, o telemóvel ficou na sala!
    Dois meses, depois, aconteceu a separação. Os lagartos na varanda, não foram o motivo… mas, ajudaram.

    O meu Pai, diz que as osgas fazem parte do jardim. Também gosta delas :(
    Diz que comem as moscas e mosquitos.
    Eu, prefiro, as moscas e mosquitos! são gostos ;)
    Resta-me a mangueira… e o sal.
    O sal é uma descoberta, muito recente. E resulta. Consegui expulsá-las dos meus domínios. Eu e a minha Mãe :)

    Beijinhos :)

  6. Anonymous says:

    Carla:
    Quanto à utilidade desses animais nojentos, eu já tenho ouvido os meus filhos e o meu marido dizerem que: matam traças, a naftalina, também e, agora até há uns saquinhos que, cheiram bem se não matam as traças, desmoralizam-nas. Matam mosquitos, o Dundum, também. Matam aranhas, a vassoura, também. Assim, qual é a utilidade das malvadas? O meu maior problema é, livrar-me delas. É que, o mais que me é permitido, é afugentá-las, gentilmente, não vão elas, com o susto, largar a “graciosa caudinha”, o que era um desastre, para os “3 cavaleiros andantes” das “adoráveis” creaturas.
    Beijo.
    Maria

  7. Anonymous says:

    Ora quando eu pensava conhecer muito bem a minha mãe, lá vem surpresa. Pensei que me tinha enganado no blog. Mas sim senhor gostei da osguita. Lembro-me bem de ter a osga no aquário. Eu e o Vasco demos-lhe o nome de Geko Tabard em homenagem a um mata mosquitos que se vendia na altura. Lá andava eu de saquinho de plástico a apanhar mosquitos para alimentar o faminto animal.
    Posso dizer-te que também o teu neto adora estes meigos animais, na semana passada tinha uma a dormir ao pé dele!
    Mas acho que os próximos a ter vão ser batráquios (umas rãzitas). Calculo que também gostes(e não estou a falar de culinária!).
    beijinhos,
    João

  8. OBicho says:

    Esta narrativa dedicada à OSGA está um mimo. Gostei de ler, imagino as cenas…
    Também eu protejo (da vassoura e da mangueira) a família OSGA que partilha com a minha família o telheiro do terraço, na nossa casa da praia.
    A desculpa, é a mesma: as moscas. A vida dela depende das MOSCAS que nos atormentam horrivelmente de cada vez que se põe na mesa, a travessa dos carapaus assados. Durante o almoço, não há coisa pior do que moscas - coitadas das osgas, elas até nem gostam de peixe.
    O mesmo princípio se aplica ao nosso SAPO de estimação, se bem que esse feioso, só é avistado por lá durante a noite.

  9. Anonymous says:

    Pois é. As ditas e amadas osgas, já me fizeram passar alguns maus bocados.
    Por estranho que pareça, as rãs, não me causam repulsa. Quando era miúda, até lhes achava piada. E gosto do barulho que fazem.
    Lembras-te, de uns girinos que, o pai a panhou no rio, meteu num frasco, para tu e a tua irmã estudarem o seu desenvolvimento? Ela, ao príncipio tinha medo deles, mas quando chegaram a adultas e, o pai as quiz devolver ao seu habitat natural, fartou-se de de chorar.
    Beijo
    Maria

  10. Anonymous says:

    A pior que me aconteceu, eu não contei. Há cerca de 1 mês, andava a limpar a varanda e, como tenho a mania de agarrar tudo com as mãos sem luvas, agarrei, o que me pareceu um monte de folhas secas, para deitar fora. Agora, imagina, o berro que dei, quando vi que uma das folhas, era uma osga. Lavei e desinfectei as mãos, algumas 6 vezes e, durante todo o dia, senti a mão viscosa. Ainda hoje, me arrepio, só de pensar nisso
    Maria

  11. Anonymous says:

    Lembro-me sim senhor. Já contei ao Rafael. Quando houver girinos se calhar vamos apanhar e pôr num aquário. Há um ribeiro na praia que tem rãs castanhas, vou tentar arranjar lá!
    beijinhos,
    João

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