Lontras no Nabão
Segundo o “Templário”, jornal da minha terra, terão sido avistadas, junto aos “Lagares d’ El Rei”, lontras, uma família completa: pai, mãe, dois filhotes. Tendo a Levada sido esvaziada, para limpeza do Rio, na lama do fundo, notam-se pegadas, dos animais. Descobriram ainda a toca, que habitam.
Segundo parece, escondem-se na zona dos Lagares. Sendo animais noctívagos, será difícil, fotografá-las. Mas as pegadas, vêem-se, nitidamente.
Não sendo caso inédito, o Dr. Fernando Ferreira, tomarense, caçador e grande estudioso das coisas de Tomar, fala nos seus livros, dos mesmos animaizinhos, não é muito frequente, eles aparecerem num sítio barulhento e movimentado, como essa parte do Rio. Segundo o mesmo senhor, as lontras, apareceriam no Agroal ou em alguns trechos da Barragem do Castelo do Bode. São, como já disse noctívagos, espertos, fogem do homem, o que só prova a sua esperteza. É que apesar de, a sua captura ser proibida e punida por lei, há ainda quem as apanhe, para aproveitar a sua bela pele, castanha dourada, para fazer golas de casaco.
Detesto tudo o que seja peles. Não porque as ache feias. São lindas. Mas, num tempo, em que se conseguem imitações de todas as peles, perfeitíssimas, para quê sacrificar os pobres animais? Deixem-nos viver sossegados. Já chega que, as cheias, a descarga de poluentes, nos rios, o fogo, os dizimem.
Façam lá os casaquinhos, de pele artificial! São quentinhos, metem um vistão e não sacrificam os bichos.
Para isto, não ficar com aspecto de sermão, cá vai uma história verdadeira:
Tenho um vizinho que, em tempos foi caçador e, como tal, bom contador de “causos”. Um belo dia foi à caça e, apanhou uma lontra. No dia seguinte, gabava-se ao meu marido, de ter apanhado um animal perigosíssimo. Tendo dito o que era, o meu marido ficou perplexo. Perigosa, uma lontra? Convém dizer que, o meu marido, detesta tudo o que seja matar, ou fazer mal, a qualquer animal, além de achar que, são todos bonsinhos.
A resposta veio rápida e clara: “Então não são perigosas? Perigosíssimas! Se o Guarda-caça, nos apanha, dá cadeia certa!”
Por isso vos peço que, se lembrem: Não façam mal às Lontras do Nabão. Além de tudo, é perigoso, dá cadeia.
Até um dia destes.
Já andei várias vezes a rondar aquela zona para tentar visualizar alguma lontra para a poder fotografar, mas até agora nada. Só passando lá 24h e sempre muito bem atento.
Também partilho a opinião em relação à morte dos animais. Quem faz essas atrocidades deveria sentir o que muitos animais sentem.
Até breve!
Ainda estou para saber se será por acaso que se chama “Nabão” a uma coisa que está aí em casa… É que à excepção dos donos e das pessoas que melhor conhece, foge de tudo o que é gente!
Beijos do Vasco e festas a essa “coisa”.
Luís:
Eu de perto, só vi as duas lontras do Oceanário e algumas, no jardim Zoológico. As do Oceanário, Eusébio e Amália, são dois bichos lindos, alegres que, se exibem com graça, perante o público. Fico encantada a vê-las brincar, nadar, fazer cabriolas de artistas de circo. Nadam em quase todos os estilos. Mergulham, voltam a aparecer, sempre felizes. Aí, não parecem medrosas. Sentem-se protegidas e admiradas. As do jardim, já são mais fugidias, menos brincalhonas, mas também, não mostram medo.
Sentem-se bem. Talvez, por nunca terem sabido o que é ser livres, subindo e descendo um rio, talvez porque o alimento, nunca lhes falta. Tudo é hábito. Estas, nasceram em cativeiro. Mas, será que às vezes, não sentirão, a nostalgia dos rios, dos perigos, das fugas, da busca dos alimentos? Lá está a Maria a divagar!…
A minha “lontra” privada, é um canito, de porte médio, convencido que é gente. Chama-se “Nabão”, como é óbvio. É da cor das lontras e roliço como elas. Como vê, mesmo longe, Tomar, está sempre comigo.
Maria
Vasco:
Estás cheio de sorte, porque o dito cujo, não mexe no computador. Se ele soubesse que lhe chamaste “coisa”, não ficava lá muito contente. Se ele não se considera cão, imagina a reaccção, que teria, ao ser tratado como objecto. Ele acha que, é pessoa, faz parte da familia e ainda por cima, manda em todos. E, como sabes, não é Nabão por acaso. Se há Tejos, Douros, etc, um cão meu, só poderia ser Nabão.
Beijo meu e uma rosnadela ofendida, deste “Cão como nós”.
Maria
Maria,
Continuo a passar todos os dias por aqui, e a deliciar-me nesta tua sala de visitas.
Obrigada amiga
Beijinho
Nemy
Se bem me lembro… quer dizer, se não estou enganado (se estiver desculpem-me) guardo na minha cabeça dura, uma imagem curiosa de há muitos anos:
O João (filho) no restaurante da RTP, alimentando cuidadosamente o seu Mocho de estimação.
Toda a gente, achava esquisito, aquele afecto por um “bicharoco tão feio”, que ele tinha encontrado num campo qualquer perto de casa e que o recolheu, alimentou e acarinhou durante sei lá que tempo.
Tal pai…
Nemy,
Isto, mais que uma sala de visitas, é um baú, cheio de papéis e recordações. Quando procuro dentro dele, encontro coisas da minha já longínqua infância e, às vezes, mais velhas que eu. Gosto delas.(O meu Vasco, tinha de sair a alguém). Assim, vou-me lembrando e, gosto de as repartir com os outros. Tenho tido a sorte, de ter amigos, como tu e alguns outros, que me entendem e, gostam. Isto, é um incentivo para continuar, com uma coisa que, me dá prazer.
Obrigada, amiga e, volta sempre.
Beijo
Maria
Bicho, só erraste numa coisa. O mocho, foi-lhe dado pela Fernanda Pais.
Chamava-se Arquimedes, Mémé, para os íntimos. Foi um dos animais mais querido que, me passaram por casa. Durou, mais ou menos 6 anos. Andava solto pela casa, pousava-nos em cima, dava bicadinhas ternas, foi acampar connosco. Tenho fotografias dele, a dormir, encostado ao meu pescoço, a tomar banho. Seguia-me para todo o lado e, quando lhe fechava a porta, sentava-se à minha espera. Era um mocho feliz, com uns olhos verdes lindos. Um dia, sem sabermos como, morreu. Foi um dia triste para todos. Eu e o João filho, chorámos abraçados nesse dia. Os outros, também tinham lágrimas nos olhos. Isto cá em casa, é assim: animal, é pessoa de familia. Se eu te disser que, os meus dois filhos, rapazes, tiveram osgas, metidas num aquário, acreditas? É verdade.
Eu sei que, quem veja isto, pensa que somos uma família de loucos e, talvez não se engane.
O João, filho, tem hoje 4 cadelas e 1 cão. Eu, tenho este Nabão, que se julga gente.
Animais, são amigos leais. Como é que os meus filhos podiam não gostar deles, se o pai gosta e, a mãe, já foi, um dia, crismada por um sobrinho, de “tia Maria dos bichos”. Somos loucos? talvez. Mas felizes com a nossa bicharada.
Beijo,
Maria
Já voltei (com gripe!), minha amiga
Li. Tudo.
Gosto de Lontras!
Não gosto nada de osgas.
Beijo meu
Carla, minha amiga:
Bem vinda, com gripe e tudo. Até porque, já dei a vacina. Tens-me feito falta.
Eu também não gosto de osgas, nem nada que se pareça. Se soubesses, as voltas, que eu dava, para não passar perto do dito aquário!
Era um horror, mas é díficil contrariar 2 filhos malucos.
Espero que melhores depressa.
Beijo
Maria
Por alguma razão é que a tua varanda é o refúgio das osgas. Principalmente no Verão, é com cada uma…
Até tens que concordar que são úteis: vê lá se a que tinhas no tecto do quarto - que viste assim que te deitaste e olhaste para cima - não te deu geito! Ao que me constou, o número de traças existente aí em casa diminuíu significativamente. E até parece que, quando a osga foi apanhada, já estava bem gordinha!
É pena não ter umas osgas cá em casa - matavam as aranhas, as moscas, os peixinhos de prata e as traças.
Beijos do filho maluco mais novo.
Não me deu jeito nenhum. Pregou-me um susto, acordei os vizinhos, com os berros que dei e, fiz o teu pai andar à caça daquele projecto de crocodilo. Como ele, ainda por cima, não a quiz matar, teve um trabalhão para a apanhar e, pôr a salvo na varanda. Além disso não dormi, com medo que ela voltasse.
Talvez amanhã, eu conte, mais aventuras desta e, das manas que, me infernizam o juízo no Verão.
Beijo,
Maria
Olha, cá para mim fotografaram o teu cão Nabão que está quase tão gordinho como a minha Duna. A côr dele é a mesma das lontras. Por isso por tua culpa já corre o boato de haver lontras no Nabão. Vou passear a Duna e já vão dizer que existem mini-pandas em Sesimbra.
Pois é, o Bicho lembra-se bem, andei a passear o Arquimedes bem pequenino na RTP. Um dos animais mais meigos que já vi.
Por aqui há muitos iguais a ele e também há corujas das torres.
Beijinhos,
João
Nabão e Duna, gordinhos, lindos, feitos um para o outro. Se tivessem consumado o seu amor platónico, dariam belos “Londas” ou “Pantras”, novas espécies de rafeiros.
O nosso Memé, pelos vistos, ainda é lembrado, por mais pessoas, do que nós, que nunca o esqueceremos. Um dia destes, se a saudade deixar, vou falar dele.
Beijinhos
Maria