A feira está a chegar
Já oiço os martelos a pregar estacas, para montar os circos e as barracas. Já ouvi e vi, os palhaços passarem pelas ruas, distribuindo panfletos onde constam as suas principais atracções. Já as barracas de comes e bebes, vão abrindo timidamente as portas, mostrando as mesas e bancos corridos, os pipos de vinho, os copos alinhados. Já as loiceiras, desembrulham cuidadosamente, as loiças, os bonecos, os santinhos, os belos penicos, decorados, com paisagens bucólicas, flores e até imagens piedosas. Nas barracas da roupa, já penduraram as samarras ribatejanas, com golas de raposa, os safões, espécie de calças de pele, atacadas com cordões, as belas mantas ribatejanas, cheias de cor e quentinhas como o colo das mães, as boinas, os velhos chapéus de aba. Os brinquedos de madeira, de lata, as bonecas de papelão ou celulóide, que enchem (enchiam) de sonhos, as cabecinhas miúdas, de grandes olhos, arregalados pela cobiça, de tais tesouros, já se mostram, nas respectivas barracas. E há carroceis, pistas de carrinhos.
Os circos já estão montados. No ar paira, o cheiro das castanhas, do carvão, das farturas, do algodão doce, da fruta de Tomar, desculpem, mas é a melhor do mundo, tem um cheiro, um gosto diferente. Os tremoços, os amendoins, as passas, misturam-se em cestos de verga, em alguidares de barro. As mulheres, de grandes aventais, lenços, mais ou menos garridos na cabeça e xailes de lã (na Santa Iria já faz frio), tomam conta da mercadoria, enquanto falam, de um modo cantante, que eu ainda conservo.
No dia 19, era a feira das passas. Munidas de seiras de palha ou, cabazes de verga (os sacos de plástico, eram desconhecidos), as boas donas de casa, rumavam à feira para comprar os belos frutos secos que, no próximo 1 de Novembro, seriam distribuídas pelos meninos que pediriam “O pão por Deus”, e no Natal seguinte, iriam enfeitar a mesa da Consoada. Havia a noite de ir ao Circo, noite de festa, de emoções. Que lindas eram as trapezistas! Como era belo o seu voo, até aos braços que, as esperavam do outro lado! E os palhaços, que de caras pintadas, escondendo a tristeza, a miséria, quem sabe a fome, nos faziam rir!
Era esta a minha feira. Iluminada com uma luz fraquinha, (obrigada, Sr. Mendes Godinho), e candeeiros de petróleo, tremeluzindo, dentro das barracas.
Há seis anos, voltei à Feira. Tem muitas luzes psicadélicas, muita música (?) ao vivo e gravada, num tom, que choca profundamente, os meus velhos ouvidos. E as luzes, perdoem-me, os novos, ferem- me os olhos, baralham-me a cabeça. Eu sei, que tudo muda. A cada instante, “O mundo pula e avança” mas eu não consigo mudar. Por dentro, claro. Velha por fora, mas por dentro, serei sempre, a “trancinhas”, de olhos arregalados para a feira, para Tomar, para o Nabão, para “Os Tabuleiros”, para as bandas de música, os foguetes.
Gozem a vossa Feira, Tomarenses de hoje. Comam as últimas sardinhas do ano, tradicionalistas do meu tempo. Eu, vou ficar aqui, lembrando cada dia da minha Feira, com saudade, com algumas lágrimas e, muito, muito amor, pela minha Terra.
Até amanhã, com certeza, em Tomar, na minha feira, ou perto.
Olá Maria!
Muita coisa mudou desde à 6 anos.
Quanto à música, este ano foi para melhor, pois existe música ambiente para todos os divertimentos, já não é cada um mete a música que quer. Passei na Praça da República para espreitar a Feira das Passas e achei aquilo muito triste, umas bancas em redor da Praça e pouco mais.
Mas também há algo que não muda, o trânsito caótico, ainda por cima com as obras que nunca param na cidade. A ponte do Flecheiro que tinha a sua abertura prevista para os fins de Setembro, segundo o Jornal Templário, só abrirá em Novembro.
Como lhe já tinha dito já não sou muito adepto de ir à Feira, e, agora engripado é que não devo mesmo ir. Mas vejo-a ali bem perto do meu local de trabalho.
Bom fim de semana!
… É tão bom, embarcar, nas tuas viagens ao passado
Reservo, lugar, para a próxima viagem…
Um abraço, carinhoso, para ti… minha amiga
São esses os tabuleiros que transportam as oferendas aos Deuses? Sáo essas as tábuas do nosso contentamento?
A feira era um palácio de ilusões, um carrocel de volta ao mundo, um sonho de momentos.
Felizes os que vibraram com isso!
Beijinho petite Marie
Mas, oh Maria, tens de concordar que aquelas sardinhas que comeste há seis anos eram de chorar por mais! E aquele tintol! Mesmo a companhia foi boa, na jantarada.
Quanto à feira, gostei, em geral, das peças de artesanato, das passas e outros géneros alimentares. Mas concordo que se dispensava muito bem aquelas luzes de Natal aceleradas e fortes, bem como o demasiado barulho a que algumas pessoas chamam música.
Beijos de um amigo de Tomar que acordou agora, depois de ter sonhado que estava na terra do Nabão e - imagina - na Feira de Santa Iria (e não estava sozinho).
Luís Ribeiro,
Eu só falo do passado, embirro com algumas modernices, (coisas de velha) embirrava até há um ano, com computadores e se alguém me dissesse que, um dia esta coisa cheia de botões, de nomes esquisitos, de manhas, se iria converter no meu vício perdilecto, desataria a rir e, afinal, aqui estou, presa a ele, convertida, mesmo não pescando nada disto. Mas, foi ele que, me fez escrever e, sobretudo, me arranjou amigos. Você, Luís, foi o último, o mais novinho, a seguir ao meu filho mais novo e o 1ºTomarense. Gosto de o ler, gosto de ver Tomar de hoje, pelos seus olhos.
Espero que esteja melhor e, possa ir à feira comer uma fartura, por mim.
Obrigada Luís, por ser como é, por ter paciência para a Maria velhota, que estes dias tem sido a Maria menina, por ser meu amigo.
Talvez um dia, nos vejamos cara a cara, talvez não. Mas, já sou sua amiga.
Beijo e as melhoras.
Maria
carla mar, minha amiga:
O teu lugar, estará sempre reservado, neste combóio, do Ramal de Tomar. Sempre que queiras, é só entrar. Tu e mais alguns, são os passageiros certos, destas viajens ao passado. Fico feliz com os vossos comentários. É bom saber que não sou a única a lembrar coisas de outros tempos.
Beijo
Maria
KIM,
Os Tabuleiros, virão mais tarde, com a sua cor, as “Raparigas desta terra do Gualdim
São bonitas, engraçadas
E não há outras assim”.
Os carros da carne, do pão, do vinho. São as festas mais emblemáticas de Tomar, mas não se fazem todos os anos. Mas, Tomar é terra de festas.
É esta “feira de Santa Iria”, “O Círio da Senhora da Piedade” e mais algumas que vão aparecendo ou reaparecendo.
Hoje, a Maria vai à Feira, comprar uma boneca.
Beijo
Maria
“Anónimo, anónimo, quem és tu?”
“Hás tu por nome Ninguém?”
As sardinhas eram uma maravilha, o tinto também, mas o melhor de tudo, foi a bela companhia.
Só não gostei do barulho.
Nesse dia, houve alguém que, pregou uma nódoa de azeite na camisa, o que foi logo resolvido, porque tinhamos levado Podd Talko.
Beijo
Maria
“
Nódoa na camisa!? EU?????
Deves estar enganada, Maria.
Veja melhor, porque o anónimo em que está a pensar não é quem pensa.
Olhe que não…
Beijo anónimo
Corvo:
Joguei uma dupla e enganei-me.
O outro que estava nas sardinhas, não me passa cartão.
Beijo
Maria