Os olhos de Paul Newman
Eram azuis, de um azul claro, transparente, espelhos de uma alma boa. Era belo, sem ser efeminado. Com uma esplendida figura, que manteve até ao fim, um rosto perfeito, expressivo e aqueles olhos, que eram doces, trocistas, tristes ou duros, conforme o papel o exigia. Nunca deu azo a falatórios, escândalos ou boatos. A sua vida particular era como os olhos, transparente. Casado desde 1958 com a actriz Joanne Woodword, faziam um dos poucos casais, que “viveram felizes para sempre”, ou melhor “até que a morte os separou”.
Foi piloto da Marinha dos Estados Unidos, durante a 2ª guerra mundial. Gabava-se, de ter feito parte da lista de inimigos de Nixon.
Disse, várias vezes, que a sua beleza, o tinha prejudicado como actor. Segundo dizia, não lhe deram alguns papéis que gostaria ter feito, por ser demasiado bonito. Era, no entanto, um bom actor. Versátil, sóbrio, encarnava na perfeição, todos os personagens que lhe eram dados. De “Gata em telhado de zinco quente”, com Elisabeth Taylor, passando por “Butch Cassidy” e “A Golpada” com Robert Redford, “O Veridicto” com Charlotte Rimpling”.
Foi também corredor de automóveis e, ainda mantinha uma escuderia da “Fórmula Indy”.
Quando o filho morreu com uma overdose, criou uma fundação para recuperação de toxicodependentes que, mais tarde, se estenderia a todos os jovens e crianças com problemas.
Para manter esta Instituição, formou uma fábrica de molhos, a “Newman’s Own”.
Resumindo: Era um homem bom, bonito, bom actor. E tinha os olhos mais belos do mundo do cinema.
Morreu ontem, em casa, junto da mulher e das filhas. Foram elas que viram, pela última vez, aqueles olhos azuis. Foi, de certeza, Joanne, que os fechou para sempre.
Este, é o meu adeus para o meu actor favorito. Restam-me os filmes.
Joanne, ficou só, depois de cinquenta anos. É uma mulher serena e forte e, irá continuar a obra do marido, até ao fim, lembrando sempre, esses olhos azuis, de que ela melhor que ninguém conhecia os cambiantes.
Até um dia destes.