Lua de Mel
Meus Pais casaram num dia 15 de Agosto, de há muitos anos.
Realizada a cerimónia religiosa na antiga Igrejinha de S. Jorge de Arroios, onde hoje é um enorme edifício que, mais parece um armazém de secos e molhados, do que uma igreja, almoçaram com os padrinhos e parentes chegados e, tomaram o comboio para Tomar, onde meu Pai já vivia e trabalhava. Chegados a Chão de Maçãs (hoje chamada Fátima), tinham à espera uma pequena charrette, que os transportaria a Tomar por uma estreita e escura estrada entre montes e vales. Era uma viajem curta, pouco mais de 10 Quilómetros. Para Ela, nova, apaixonada, foi como se fosse uma viajem a Paris (seu sonho de menina nunca realizado). A Lua, uma enorme Lua de Agosto, iluminava a estrada, o arvoredo, uma ou outra casa, branca e pequena e sobretudo, o rosto daquele que Ela amava e esperara tanto tempo. Chegados a Tomar e à pequenina casa que ele preparara para a sua noiva querida, esperava-a o jantar, posto na mesa por alguém amigo.
Foi Ela que me contou esta história, dou-lhe a palavra para terminar: “Filha, eu não tive Lua de Mel. Tive Lua Cheia de Agosto e, fui muito feliz”.
Quando estive em Paris, senti a sensação de a ter comigo, como se através dos meus olhos, Ela pudesse, enfim, ter a sua Lua de Mel.
Mas para quê? Afinal, Ela tinha tido mais. O homem que amava, 4 filhos dele e, a Lua Cheia, daquela noite que a fez tão feliz.
Lá, onde quer que estejam, quero dizer o costume: “parabéns meus Pais e, obrigada por terem sido meus Pais. Um beijo do tamanho da Lua Cheia, dessa noite.
Até um dia destes.