Saturday, July 26, 2008

Lobo Antunes, Prémio Camões

Com a possível “Pompa e Circunstância”, foi ontem entregue a António Lobo Antunes, o “Prémio Camões”.
Porquê possível? Tudo estava certo. Os vetustos claustros dos Jerónimos, os senhores presidentes de Portugal e do Brasil, vestidos a preceito, um prémio mais que merecido e, um escritor, igual a ele próprio, sem gravata, de colarinho aberto, cabelo despenteado, ar de menino tímido que, vai receber o prémio escolar, por fazer bonitas redacções. Depois, quando fala, vê-se que ele tem a perfeita noção do seu valor como escritor, que sabe quem é, que não sofre de falsas modéstias.
Tenho lido muita coisa dele, admiro-o, sobretudo quando se mostra mais frágil, mais sensível. Sei, que o facto de ontem não usar gravata, é a prova de coerência que já esperava dele. Ele, que tem coragem para dizer que, não sabe trabalhar com um computador, que não gosta da máquina de escrever, que usa para o seu ofício de escritor, apenas e só, canetas. Ele, que escreve, rescreve, vezes sem conta, um capitulo de cada livro, até lhe parecer que é aquilo que queria, não se ia dar ao trabalho de ser diferente, ontem. Foi “ele”, mais uma vez. Recebeu o prémio do seu trabalho, sem orgulho balofo, nem falsa modéstia.
É assim que eu vejo e admiro, Lobo Antunes. Fiquei feliz, por o Prémio Camões, lhe ter sido atribuído.  Agradeço-lhe a ele, as muitas horas de leitura que me tem proporcionado, o prazer que me dá lê-lo e até, a angústia que por vezes me provoca.
Ouvi agora o CD do Vitorino, com versos de Lobo Antunes. Gostei.
Quero-o para mim. Para ouvir num dos poucos momentos em que não me apetece ler, mas tenho sede de um bom poema.
Até um dia destes.
Posted by Maria in 10:12:54 | Permalink | Comments (4)