Afinal, há coincidências
Tivemos pouco tempo de intimidade, mas esse tempo bastou, para que nos tornássemos amigas. Depois, a vida separou-nos. Nunca mais soube dela, embora por vezes a recordasse com saudade.
Fui encontrá-la, ali. Fiquei abalada, chorei, o tempo e a distância não tinham acabado com aquela amizade.
Ontem, ao arrumar uns papéis, fui encontrar um “Recado” escrito em 2001, para outro amigo morto. Este, era amigo de infância, daqueles com quem demos os primeiros passos. Também deste, a vida me afastou. Quando soube da sua morte, novo ainda, chorei o amigo, a amizade perdida, a infância longínqua.
O tal “Recado”, é um pouco para estes dois e, para outros que, já partiram.
Não há coincidências? Então, que mistério me fez encontrar este papel, dentro de uma bolsa que não uso há anos?
Recado
Um amigo morto, é uma coisa estranha.
É uma dor diferente.
É quase como a gente
Sentir que morre um pouco.
São lembranças de infância sem partilha,
São frases que mais ninguém recorda,
Momentos que, não mais serão lembrados,
Abraços que nunca se darão,
Locais, pedaços, da nossa vida antiga
Que partem para sempre….
E, nem sequer soubeste, como era tua amiga.
Para a Ana e o A.C. com muitas saudades.
Até um dia destes.