Thursday, June 19, 2008

Francisco Stoffel - O fadista que não teve tempo

Nasceu em Cascais há quase 64 anos, mas nunca envelheceu.
A morte levou-o, poucos dias depois de fazer 22 anos.
Conheci-o mal e, tenho pena. Foi amigo desde menino, do meu marido. Brincaram, meteram-se em grandes aventuras, exploraram grutas. Eram “Os Vampiros”. Mais velhos, continuaram a ser amigos, embora o meu marido não seja grande apreciador de fados.
Um dia, recebi uma carta de Mafra, mais triste do que de costume.
O Chico, já não voltaria a cantar.
Já se tinha começado a ouvir na telefonia, “Por morrer uma andorinha”. Já tinha saído um disco com 4 fados cantados por ele.
Pouco tempo depois, deixou de se ouvir. Quem não aparece, esquece e, o Chico não poderia mais aparecer.
O Carlos do Carmo começou a cantar “Por morrer uma andorinha”,  à sua maneira. Sou fã confessa dele, mas cada vez que o ouvia, era outra a voz que queria ouvir.
Procurei anos por todo o lado, o disco do Stoffel, sem nunca o encontrar. Às vezes, poucas, alguém se lembrava dele e, ouvia-se o mesmo fado. Sempre o mesmo.
Um grupo de amigos, quis lembrá-lo agora, com uma exposição de fotografias e, a reedição do disco, em CD, com a colaboração da Câmara de Cascais, Teatro Experimental de Cascais e Museu do Fado.
Foi bonito. O meu marido encontrou amigos a quem não via há anos, eu consegui o disco tão desejado. Mas é pouco. Será que não há gravações, mesmo em fita, de que se possa fazer um disco maior? Quatro fados é pouco para mostrar aquela voz, aquele sentimento que ele dava ao fado.
De qualquer forma, vão ver a exposição e, ouçam a música que a acompanha. É ele, sim. A maneira como canta, faz pensar no grande fadista que se perdeu. A forma de cantar, triste, magoada, faz pensar, que ele sentia já saudades, do que nunca viveria.
As fotos, lembram, aquele quase menino, que deixou pais, irmãos e amigos, desgostosos de o perderem.
O Fado, perdeu alguém, que poderia ser hoje, um grande fadista.
Provavelmente, com o teu jeito brincalhão dirias: “Por morrer um fadista não acaba o fado”. Mas sem ti, ficou mais pobre.
Adeus Francisco Stoffel.
Nós, até um dia destes.

Posted by Maria at 17:26:27
Comments

7 Responses to “Francisco Stoffel - O fadista que não teve tempo”

  1. carla mar says:

    Canto para não chorar… ouvi.
    Gostei muito :)
    Vou espreitar…

    Beijinho :)

  2. Anonymous says:

    carla mar,
    Tentei mandar-te os parabéns para o teu filhote, mas não sei se consegui. Sou uma autentica nulidade com máquinas. De qualquer modo, cá vai um beijo para ele, outro para ti, parabéns para os dois. Achei lindo o que lhe escreveste. Felicidades para ti e para os teus meninos, da amiga
    Maria

  3. Américo says:

    Que Saudade do Francisco Stoffel, eu estava em àfrica qundo ele partiu para o Àlem, alguém me sabe dizer de que morreu? foi acidente? na altura não soube, tenho as gravações dele e gostaria de fazer um video para o YouTube e com ele recordar aos mais novos o Enorme Fadista que era o Francisco. Um abraço.Américo

  4. Anonymous says:

    Américo:
    Só hoje vi o seu comentário. Segundo creio, o Chico apanhou uma forte insolação, que agravada com várias complicações o levou à morte. Lembro-me de o ver na praia, vermelho e já com feridas. Foi hospitalizado, mas já de nada valeu. Assim estúpidamente, se perdeu uma vida da qual havia muito a esperar.
    Na altura estava o meu marido em Mafra e eu tive a noticia por ele.
    Um abraço.
    Maria dos Alcatruzes

  5. Anonymous says:

    Amiga e Senhora / Muito obrigado, do Francisco Stoffel tenho dois videos feitos no Youtube, e estou a preparar o 3º. Foi uma pena essa tragédia, que Deus o tenha em descanso. Américo

  6. Ana Pardal Monteiro says:

    - O Chico Stoffel não está esquecido, pelo menos no que respeita a quem está e sempre esteve ligado ao Fado. Herdei de minha Mãe esse gosto, embora não cante como ela cantava, e dela herdei também esse disco que oiço sempre que a nostalgia me atinge. Não conheci o Chico, era demasiado pequena, mas lembro-me de ver lágrimas nos olhos de minha Mãe sempre que dele falava e colocava o disco para eu ouvir.
    O Chico em minha casa não está esquecido. (só tenho pena mesmo é que o disco não seja re-editado de forma a preservar o meu velhinho vinil antes que se risque para sempre)
    Quanto ao mal que o levou, sempre ouvi minha Mãe dizer que foi cancro na garganta e daí o verso “na minha voz dolorida…” e que, se ouvirem bem, se nota alguma rouquidão nesse fado que não se nota nos outros.
    Não sei se foi assim, mas foi assim que sempre ouvi a minha Mãe contar.

  7. Américo says:

    Cara Ana, só hoje tornei aqui, obrigado por essas amigas palavras e sentimentos para com o Francisco Stoffel, se quizer terei todo o Prazer em lhe oferecer o cd com Ele, para que o seu velhinho vinil não acabe de vez, diga-me para onde devo enviar, ou escreva para o meu Blog. Um abraço Américo

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