Futebol, paralisação e, frases infelizes
Desde 2ª feira que o nosso país, Espanha e França, se encontram a braços com uma paralisação de camiões de longo curso que, nos abastecem de quase tudo o que necessitamos para viver. O pouco que produzimos está em sério risco de ser deitado fora, por falta de escoamento. Os produtores de leite, já avisaram que irão deitar fora os excedentes de leite, por não o puderem armazenar e conservar, se não for escoado. Os supermercados, já falam em rotura de stocks. Isto quer dizer, de uma forma crua, que o país vai paralisar e, vai haver fome. Fome! Sabem o que é? Eu, pessoalmente, também não. Mas já a vi. Não só na televisão, como aqui, ao pé de mim. Já vi crianças, vasculharem os contentores e, comerem todos os restos que encontravam. Sei, que no nosso país há fome.
Mas agora, é diferente. Os que já têm, vão ter mais. E, não se iludam, se isto continua por muito tempo, vamos todos tê-la.
Desta vez, não podemos criticar só o nosso governo, porque a questão se estende além das fronteiras, (que afinal continuam a existir). E, nós temos a francesa e a espanhola, para passar.
Tudo isto, parece não estar a preocupar muito as pessoas, nem mesmo aquelas que, primeiro vão sofrer. O futebol, tudo faz esquecer. Os aeroportos dizem que já não há gasolina, mas há poucos minutos, partiu um avião para Genebra.
Infelizmente, há sempre algum desmancha prazeres que, resolve deitar um dedal de água fria, neste país que se sente tão feliz.
O Senhor Presidente da República, ontem, referiu-se ao dia, chamando-lhe: “Dia da Raça”. É claro que, lhe caíram em cima, alguns senhores bem pensantes e, defensores das “amplas liberdades”. Raça, meus senhores, não quer só dizer cor de pele.
Tem mais significados. Uma pessoa com raça, pode ser uma pessoa valente, uma pessoa inteligente. Raça, não é só racismo.
Aliás, o Dr. Salazar, já nos classificava como: ”País multirracial”.
Na escola primária, aprendia-se que, o dia de Camões, era também o dia da Raça. Da raça portuguesa, sem diferenças de cor de pele.
Não sou, nunca fui Salazarista. Não sou, nem nunca fui racista. Por baixo da pele, somos todos iguais. Sempre houve negros em Portugal. Tive amigos e colegas negros e eram tratados da mesma forma que os outros.
E afinal, o Gedeão, quando analisou a “Lágrima de Preta”, parece que não encontrou: “Nem sinais de negro, nem vestígios de ódio” mas, “água quase tudo e, cloreto de sódio”.
Que me perdoem, os doentes do futebol, mas não é com vitórias da selecção que vamos resolver o grave problema que estamos a atravessar. Nem com isso, nem preocupando-nos com o nome que, o Senhor Presidente, chama ao dia 10 de Junho.
Sem alarmismos, mas conscientes, vamos tentar passar mais esta crise, sem nos atirarmos uns aos outros.
Até um dia destes.