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Para conseguir ver completamente, basta tirar 1 % ao nível do “zoom”, na barra de status, em baixo à direita.
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Fui educada por um Pai muito anti-espanhol. Tudo o que cheirasse a Espanha, tinha defeitos. Lá em casa o 1º de Dezembro era festejado com todas as honras. Detestava o Salazar, mas abominava Franco. De Espanha só se aproveitavam as touradas e, claro, as espanholas que, as mais das vezes, eram tão espanholas como eu. Levou anos, até admitir que, nos corria nas veias sangue galego. Então dizia: a Galiza não é Espanha. Não sei qual seria a reacção dele ontem, com a vitória da sua inimiga de estimação.
É verdade que, mais do que os espanhóis, ele abominava os alemães que, para ele, continuavam todos a ser nazis.
Pues, amigos míos, ayer, mis gotitas de sangre español, se han puesto en uno alborozo total. La vitória fué nuestra. Me senti ditchosa.
Espanhola non, pero Ibérica. Dentro en mi alma cantava Albeniz, Lorca, Rosalia de Castro, Miguel Torga…
Vou voltar a escrever em português que sempre digo menos disparates. E pensei em Torga, na noção que tinha de uma Ibéria única.
Ibéria
Terra.
Quanto a palavra der, e nada mais.
Só assim a resume
Quem a contempla do mais alto cume,
Carregada de sol e de pinhais.
Terra-tumor-de-angústia de saber
Se o mar é fundo e ao fim deixa passar…
Uma antena da Europa a receber
A voz do longe que lhe quer falar…
Terra de pão e vinho
(A fome e a sede só virão depois,
Quando a espuma salgada for caminho
Onde um caminha desdobrado em dois).
Terra nua e tamanha
Que nela coube o Velho Mundo e o Novo…
Que nela cabem Portugal e Espanha
E a loucura com asas do seu Povo.
Que melhor maneira de dizer, que afinal, as diferenças que nos afastam, são menores, que as imensas coisas que nos unem?
Assim, já que nós não conseguimos ganhar, é bom que a vitória tenha sido de Espanha.
Até um dia destes.
O pavão é uma ave galinácea, (não se nota nada, mas é), originária da Índia, muito bela, muito inútil. Embeleza jardins e parques, lança gritos estrídulos que nos atordoam, acasala e, mais nada.
A sua bela cauda aberta em todo o seu esplendor, lembra as exóticas sedas e loiças, da sua Ásia natal. Parece que é estúpido.
Não sei, porque nunca falei com nenhum.
Mas também, com tantos pavões e pavoas sem cauda, que a gente bem conhece, podemos pensar, sem grande margem de dúvida que devem ser mesmo estúpidos. É vê-los, bem vestidos e fazendo discursos, ou pavoneando-se nas festas, nas ruas, que se repara que a diferença não é muita. Estes ao menos são belos e enfeitam.
Mando-vos uma fotografia de um dos primeiros. Os segundos, todos nós os conhecemos.
Até um dia destes.
O Verão chegou em força. Há alertas de todas as cores do arco-íris, por todo o país. Como de costume, o Alentejo é que mais sofre. Aqui, o calor também se faz sentir com alguma força e, eu estou mole, cansada, a pedir a sombra de uma árvore e a frescura de um rio, (de preferência o Nabão, claro).
A minha preguiça, levou-me a pedir ajuda a uma fotografia e, à Florbela Espanca.
Nasceu em Cascais há quase 64 anos, mas nunca envelheceu.
A morte levou-o, poucos dias depois de fazer 22 anos.
Conheci-o mal e, tenho pena. Foi amigo desde menino, do meu marido. Brincaram, meteram-se em grandes aventuras, exploraram grutas. Eram “Os Vampiros”. Mais velhos, continuaram a ser amigos, embora o meu marido não seja grande apreciador de fados.
Um dia, recebi uma carta de Mafra, mais triste do que de costume.
O Chico, já não voltaria a cantar.
Já se tinha começado a ouvir na telefonia, “Por morrer uma andorinha”. Já tinha saído um disco com 4 fados cantados por ele.
Pouco tempo depois, deixou de se ouvir. Quem não aparece, esquece e, o Chico não poderia mais aparecer.
O Carlos do Carmo começou a cantar “Por morrer uma andorinha”, à sua maneira. Sou fã confessa dele, mas cada vez que o ouvia, era outra a voz que queria ouvir.
Procurei anos por todo o lado, o disco do Stoffel, sem nunca o encontrar. Às vezes, poucas, alguém se lembrava dele e, ouvia-se o mesmo fado. Sempre o mesmo.
Um grupo de amigos, quis lembrá-lo agora, com uma exposição de fotografias e, a reedição do disco, em CD, com a colaboração da Câmara de Cascais, Teatro Experimental de Cascais e Museu do Fado.
Foi bonito. O meu marido encontrou amigos a quem não via há anos, eu consegui o disco tão desejado. Mas é pouco. Será que não há gravações, mesmo em fita, de que se possa fazer um disco maior? Quatro fados é pouco para mostrar aquela voz, aquele sentimento que ele dava ao fado.
De qualquer forma, vão ver a exposição e, ouçam a música que a acompanha. É ele, sim. A maneira como canta, faz pensar no grande fadista que se perdeu. A forma de cantar, triste, magoada, faz pensar, que ele sentia já saudades, do que nunca viveria.
As fotos, lembram, aquele quase menino, que deixou pais, irmãos e amigos, desgostosos de o perderem.
O Fado, perdeu alguém, que poderia ser hoje, um grande fadista.
Provavelmente, com o teu jeito brincalhão dirias: “Por morrer um fadista não acaba o fado”. Mas sem ti, ficou mais pobre.
Adeus Francisco Stoffel.
Nós, até um dia destes.
José Franco, oleiro, escultor, sonhou um dia, fazer à volta da sua casa e olaria, uma aldeia típica. Desde o moinho, a azenha, o açougueiro, a mercearia, a capela, o barbeiro, o dentista, o quarto de uma casa pobre, até à representação, por vezes animada, das diversas artes e ofícios, há de tudo. A sala da escola, lembra-me aquela, em que andei em pequena.
Aqui, conheci o meu marido. Tudo começou por um amor de praia e, ainda não acabou.
Não lhes vou contar a história. Alguém, já a contou por mim.
Quem? Jacques Brel. Não me chamem pretensiosa, mas a minha (nossa) vida, está quase toda em: “La chanson des vieux amants”.
Só não são vinte anos. São quarenta e dois.
Por isso, pedi ao Brel, que me emprestasse uns bocadinhos, do seu belo poema:
“Bien sûr, nous eûmes, des orages
Vingt ans d’amour, c’est l’amour fol
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Oh, mon amour…
Mon doux mon tendre mon merveilleux amour
De l’aube claire jusqu’à la fin du jour
Je t’aime encore tu sais je t’aime”
E pronto, está tudo dito.
Um beijo para o meu companheiro, desta longa caminhada. Outro para o Pai dos meus filhos. Outro para o Avô dos meus netos.
E já agora, outro para o dono do meu Nabão.
Até um dia destes.
Desde 2ª feira que o nosso país, Espanha e França, se encontram a braços com uma paralisação de camiões de longo curso que, nos abastecem de quase tudo o que necessitamos para viver. O pouco que produzimos está em sério risco de ser deitado fora, por falta de escoamento. Os produtores de leite, já avisaram que irão deitar fora os excedentes de leite, por não o puderem armazenar e conservar, se não for escoado. Os supermercados, já falam em rotura de stocks. Isto quer dizer, de uma forma crua, que o país vai paralisar e, vai haver fome. Fome! Sabem o que é? Eu, pessoalmente, também não. Mas já a vi. Não só na televisão, como aqui, ao pé de mim. Já vi crianças, vasculharem os contentores e, comerem todos os restos que encontravam. Sei, que no nosso país há fome.
Mas agora, é diferente. Os que já têm, vão ter mais. E, não se iludam, se isto continua por muito tempo, vamos todos tê-la.
Desta vez, não podemos criticar só o nosso governo, porque a questão se estende além das fronteiras, (que afinal continuam a existir). E, nós temos a francesa e a espanhola, para passar.
Tudo isto, parece não estar a preocupar muito as pessoas, nem mesmo aquelas que, primeiro vão sofrer. O futebol, tudo faz esquecer. Os aeroportos dizem que já não há gasolina, mas há poucos minutos, partiu um avião para Genebra.
Infelizmente, há sempre algum desmancha prazeres que, resolve deitar um dedal de água fria, neste país que se sente tão feliz.
O Senhor Presidente da República, ontem, referiu-se ao dia, chamando-lhe: “Dia da Raça”. É claro que, lhe caíram em cima, alguns senhores bem pensantes e, defensores das “amplas liberdades”. Raça, meus senhores, não quer só dizer cor de pele.
Tem mais significados. Uma pessoa com raça, pode ser uma pessoa valente, uma pessoa inteligente. Raça, não é só racismo.
Aliás, o Dr. Salazar, já nos classificava como: ”País multirracial”.
Na escola primária, aprendia-se que, o dia de Camões, era também o dia da Raça. Da raça portuguesa, sem diferenças de cor de pele.
Não sou, nunca fui Salazarista. Não sou, nem nunca fui racista. Por baixo da pele, somos todos iguais. Sempre houve negros em Portugal. Tive amigos e colegas negros e eram tratados da mesma forma que os outros.
E afinal, o Gedeão, quando analisou a “Lágrima de Preta”, parece que não encontrou: “Nem sinais de negro, nem vestígios de ódio” mas, “água quase tudo e, cloreto de sódio”.
Que me perdoem, os doentes do futebol, mas não é com vitórias da selecção que vamos resolver o grave problema que estamos a atravessar. Nem com isso, nem preocupando-nos com o nome que, o Senhor Presidente, chama ao dia 10 de Junho.
Sem alarmismos, mas conscientes, vamos tentar passar mais esta crise, sem nos atirarmos uns aos outros.
Até um dia destes.