Andorinhas
No Torrão, terra alentejana, berço de Bernardim Ribeiro autor do livro “Menina e Moça”, voltei a ver as minhas amigas andorinhas e os seus ninhos. No beiral da casa onde nasci, havia muitas. Era uma festa para mim vê-las chegar com os primeiros dias de Primavera e, sem hesitações irem direitas ao ninho, que tinham abandonado no Outono. As mais jovens, que já não podiam habitar com os pais, apressavam-se a fazer a sua casa, procurando ramos, palhas, pequenos pedaços de barro com que construíam o ninho, onde poriam os ovos e formariam uma nova família. Semanas depois, ouvia-se o piar fraquinho dos pequeninos e os pais saíam em busca de insectos para os alimentar. Os pios tornavam-se mais fortes, começavam-se a ver as cabecinhas quase sem penas, a espreitar a chegada dos pais com o alimento. Por fim, um dia lá se atreviam a tentar, primeiro desajeitadamente, depois mais seguros, a bater as pequenas asas e tentar imitar os pais a voar.
Eu seguia encantada e temerosa, aqueles voos curtos, mas cada vez mais seguros.
Quando saí dessa casa, perdi as minhas vizinhas, que me alegravam os dias. Só as tenho visto de longe. Por vezes tento saber onde moram, mas não me dizem. Talvez pensem que sou uma daquelas velhas malvadas que lhes destróem as casas.
Quando no Torrão, vi tantos ninhos, fiquei a gostar ainda mais dos Alentejanos. Para eles, a natureza ainda é sagrada. Amam-na em todas as suas formas. Espero que não mudem. Pelo menos no Alentejo, eu consigo ver o mundo em que nasci. Ainda oiço, pessoas que nunca vi, dizerem: Bom Dia. Ainda oiço falar um português cantado, mas sem palavras estrangeiradas. Ainda vejo casas onde me apetecia viver. Este Alentejo interior é realmente um sítio muito especial para mim. Até quando?….
Até amanhã, talvez…