Charneca em Flor
É difícil, senão impossível, passar no Alentejo e não lembrar Florbela Espanca. Nascida em Vila Viçosa, foi desde nova, uma mulher insatisfeita, demasiado evoluída para a época em que viveu.
Nasceu no dia 8 de Dezembro de 1894. Suicidou-se no dia 8 de Dezembro de 1930, aos 36 anos. Casou três vezes e, ao que parece não foi nunca feliz por muito tempo. A morte do irmão, que adorava, num desastre de avião, contribuiu e muito, para que decidisse pôr fim à vida. Depois de alguns anos sepultada em Matosinhos, foi trasladada para Vila Viçosa.
Esta mulher que tão bem soube cantar o Amor, morreu por nunca o ter encontrado, como o sonhara.
Amava o Alentejo e falou dele como mais ninguém.
Dela transcrevo, “Charneca em Flor”.
Enche o meu peito, num encanto mago,
O frémito das coisas dolorosas…
Sob as urzes queimadas nascem rosas…
Nos meus olhos as lágrimas apago…
Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!
E, nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E já não sou, Amor, Soror Saudade…
Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!
Florbela Espanca “Charneca em Flor”
Foi assim que vi o Alentejo. É lindo, calmo, simpático.
O único defeito é que se come demais. A comida alentejana é tão saborosa, que até um pisco como eu, come até quase rebentar. Mas sabe tão bem! E os doces? Eu sou pisco, mas sou gulosa.
E para terminar que tal uma “Sericaia”, com ameixas e respectiva calda?
Até amanhã.