Tuesday, March 11, 2008

Livros


Desde muito pequena, que adoro livros. Comecei a ler cedo, em parte, porque o meu Pai tinha livros por todo o lado.
Eu, olhava-os com a mesma gula, que as outras crianças olhavam para um chocolate. Por isso, tive pressa em descobrir o que eles tinham dentro.
Comecei pelas histórias da condessa de Ségur, que devorava em horas. Depois, o meu Pai, começou a dar-me os livros de Júlio Dinis, que eu lia de uma acentada. Quando estava a ler, era escusado falarem comigo, porque, ou não ouvia, ou ficava irritada, coisa que aliás ainda hoje acontece. Aos dez anos, já conhecia Camilo, Alberto Pimentel, Rocha Martins, Arnaldo Gama, Almeida Garrett e Eça. Deste apenas tinha lido três livros: “Os Contos”, “A Cidade e as Serras” e “A Ilustre Casa de Ramires”. Os outros não eram próprios para meninas. Pouco depois, descobri que com uma faca, conseguia abrir a estante, onde estavam guardados, e com quinze anos, já os tinha lido todos. Depois, o meu irmão, deu-me um livro de Miguel Torga: “Novos Contos da Montanha”. Foi amor à primeira vista. Todos os livros dele, estão na minha estante, leio-os vezes sem conta. Mais tarde, conheci Aquilino, Fernando Namora, Irene Lisboa. Também os estrangeiros me prenderam, sobretudo os franceses: Zola, Balzac, Victor Hugo e Saint Exupéry. Assim, como Remarque e Hemingway. Por isso, quando entro numa livraria, entro em transe, esqueço-me de tudo. Respiro o cheiro dos livros, como se respirasse um perfume.
Hoje fui ao Mercado da Ribeira, onde decorre uma feira de livros. Devo ter feito a mesma figura, que uma criança numa loja de brinquedos. Não sabia qual escolher, queria quase todos.
Saí, com dois sacos cheios de livros, a carteira mais leve e a cantarolar: “O Tango Ribeirinho”, do Ary, para grande desespero do meu marido.
Agora, vou pegar nos meus livros e, decidir qual vai ser o primeiro. A escolha é difícil.
Até amanhã, se os livros me deixarem.
 
Posted by Maria in 22:08:12
Comments

12 Responses

  1. bicho says:

    Gosto do cheiro dos livros.
    Queria ver no meu escritório, as paredes recheadas de filas de lombadas, até ao tecto.
    Um dos meus passeios favoritos em Lisboa: subir o Chiado, entrar na Livraria Portugal, espreitar a Bertrand e visitar os alfarrabistas das Eescadinhas do Duque.

  2. Anonymous says:

    Eu gosto do cheiro, da forma, do contacto com o papel e sobretudo de os lêr. A noite passada, li os dois últimos do Manuel Alegre,
    “Doze Naus” e “Nambuangongo, Meu Amor”. Depois ainda li quase todo, Monsieur Bovary” de Laura Grimaldi. Resultado: adormeci às 4 da manhã. Mas não faz mal, porque eu gosto mais de ler do que de dormir. Por alguma razão o meu Pai me chamava: devoradora de livros.
    Maria

  3. carla mar says:

    Já me chamaram papa livros!
    A Bertrand, para mim, desde os tempos da faculdade é um sitio especial…
    Livros, Livros… e mais Livros, muitas vezes(sempre!), a companhia perfeita!

    Um beijinho e boas leituras :)

  4. Anonymous says:

    Pois, é… já fui à bendita feira e até encontrei lá uma pessoa que costuma advinhar coisas. Parecia combinado, pois lá estava ele, como se houvesse encontro marcado.
    Fiquei admirado por ter encontrado uma edição recente do “D. Jayme”. Estavam lá vários do Miguel Torga, Eça de Queiroz, Camilo, Aquilino, António Lobo Antunes, etc.. Suponho que dos de Camilo, Lobo Antunes, Aquilino e talvez Eça, estivessem hoje menos exemplares do que ontem.
    Boas leituras!

  5. Anonymous says:

    Lá em casa havia os serões de leitura. Lia o meu Pai, depois a minha Mãe, a seguir eu, e por fim a minha Irmã.
    Não sou capaz de adormecer sem ler uma linha.
    Uma noite tranquila para ti.
    Nemy

  6. Anonymous says:

    Também na casa dos meus Pais isso acontecia.
    Todos nós gostávamos de ler. Aliás, com um Pai como o meu, era quase impossivel não apanhar o vício. Foi o meu grande professor de literatura e História de Portugal.
    Mas eu creio que tu o sabes Nemy. Acho que o conheceste. Já velhinho, ainda dava lições a muita gente e deixou muitas saudades.
    Beijinho.
    Maria

  7. Anonymous says:

    carla mar,
    Afinal há mais gente a gostar de ler do que eu pensava. Eu não saberia viver sem eles. Dão-me tanto! Até paz, quando me sinto nervosa ou amargurada.
    Para mim, um livro é um amigo.
    Beijinho
    Maria

  8. Anonymous says:

    Ainda bem que os meus filhos gostam de ler. Assim quando eu morrer, sei que os meus queridos livros, não irão parar ao lixo.
    Beijinhos
    Maria

  9. Anonymous says:

    Gosto mesmo muito de ler e é díficil dormir sem ler qualquer coisa. Foi um hábito e um gosto que me cultivaste desde pequeno. Só que os meus gostos de leitura são diferentes. Na verdade tenho sempre vários livros e revistas à cabeceira… Parece mentira ou uma vardadeira salada mas é mesmo assim! Conforme a disposição ou o que penso quando me deito é que escolho a leitura. Agora é: Um livro de Artur Agostinho que me deram no Natal, um livro sobre genética, as selecções do Reader’s Digest, passatempos Sudoku e a Fauna Submarina Atlântica. Devo mesmo ser maluquinho :)
    Beijinhos e boas leituras,
    João

  10. Anonymous says:

    Desde que não me digas que estás a ler a Margarida Rebelo Pinto, está tudo bem. Quanto a leres várias coisas ao mesmo tempo, não te preocupes, é de familia. Eu faço o mesmo e o teu Avô também. Quanto aos sudoku e a Fauna Submarina Atlântica, a culpa é do teu Pai.
    Beijinhos para os três
    Maria

  11. Anonymous says:

    Conheci bem o teu Pai.
    E acredita, querida amiga, que tem um cantinho especial no meu coração.
    Compartilhou comigo a amizade, a boa disposição e bom humor, a poesia, a literatura, a História!
    E os dardos atrás da porta da sala? Que bom exercício de descontracção!
    A grafonola…
    Tanta coisa bonita…
    Disse-me um dia: “Se pudesse gostaria de deixar em testamento a minha memória”.
    E que memória!
    Fica-me a ternura, a saudade e a gratidão imensa pela sua generosidade.
    Beijinho amigo
    Nemy

  12. Anonymous says:

    Obrigada Nemy, pelas tuas palavras sobre o meu Pai. Ele merecia-as. Quanto à memória, acho que conseguiu deixá-la a mim, ao meu irmão e ao Vasco, seu grande amigo e confidente, além de neto muito querido. Só eu sei a falta que ele ainda sente do Avô.
    Talvez por isso, ele goste tanto de estar com as pessoas que o recordam como tu.
    Beijinhos pela tua ternura por aquele que foi um dos meus maiores amores.
    Maria

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