Wednesday, March 5, 2008

Quando Santana era nome de actor

Conheci Vasco Santana, primeiro numa espécie de folhetim radiofónico, na Rádio.
Ele fazia de eterno enamorado de Irene Velez, namoravam, ele na rua, ela na janela de um terceiro andar, com a mãe (Elvira Velez), ouvindo toda a conversa, por causa das vizinhas. Era uma história ingénua, talvez pobre, mas que nos fazia rir a bandeiras despregadas. A voz de Vasco Santana, inconfundível, a maneira terna de falar de Irene Velez,  a agressividade de Elvira, fizeram de “Lélé e Zéquinha”, momentos inesquecíveis, dos meus tempos de menina. A maneira dele dizer: “Olha, filha, diz à tua mãesinha, aquela santa…” era só dele.
No teatro nunca o vi, mas os meus Pais, sempre que podiam, iam à Revista, por causa do Vasco e não só.
Só vi os filmes, pelo menos com olhos de ver, na televisão. Vi, revi e vou continuar a ver.
Não era só Vasco Santana. “Na Canção de Lisboa”, era António Silva, Beatriz Costa, Santos Carvalho. Cenas que não esquecem a quem já viu o filme. Foi seu realizador Continelli Telmo. “O Pai Tirano”, passado em grande parte no Chiado e no Grandella, que ainda conheci tão bem. Neste entravam, entre outros: Ribeirinho (impagável a cena da perseguição à Tatão, através de ruelas, escadinhas, escorregando por corrimões, escondendo-se, sei lá!), Leonor Maia, a linda Tatão, que conquistava os corações e vendia cheirinho a peso. Graça Maria, caixeirinha do Grandella e apaixonada pelo Ribeirinho, que não lhe ligava nenhuma.

E vem agora, o meu predilecto: “O Pátio das Cantigas”. Com realização de António Lopes Ribeiro, também realizador de “O Pai Tirano”, juntava um grupo de grandes senhores e senhoras. Comecemos por eles: Vasco Santana, António Silva, Ribeirinho, Barroso Lopes, António Vilar e muitos outros. Elas: Maria das Neves, Maria Paula, Maria da Graça e Laura Alves, a grande Laura Alves, além de outras.

Outros tempos, outras vidas. Mas, a verdade, é que ainda hoje, numa breve entrevista na televisão, novos e velhos se lembraram de frases destes filmes. A verdade, é que quase todos se lembraram daquele senhor gordo, de voz esquisita e riso fácil.
Morreu faz hoje 50 anos. Ainda é lembrado como merece. E ainda nos faz rir.
Agora, o único Santana de que me lembro, não é actor, representa mal, não é gordo e não lhe acho graça nenhuma.

Até amanhã

Posted by Maria in 21:56:50 | Permalink | Comments (12)