Quando Santana era nome de actor
Ele fazia de eterno enamorado de Irene Velez, namoravam, ele na rua, ela na janela de um terceiro andar, com a mãe (Elvira Velez), ouvindo toda a conversa, por causa das vizinhas. Era uma história ingénua, talvez pobre, mas que nos fazia rir a bandeiras despregadas. A voz de Vasco Santana, inconfundível, a maneira terna de falar de Irene Velez, a agressividade de Elvira, fizeram de “Lélé e Zéquinha”, momentos inesquecíveis, dos meus tempos de menina. A maneira dele dizer: “Olha, filha, diz à tua mãesinha, aquela santa…” era só dele.
No teatro nunca o vi, mas os meus Pais, sempre que podiam, iam à Revista, por causa do Vasco e não só.
Só vi os filmes, pelo menos com olhos de ver, na televisão. Vi, revi e vou continuar a ver.
Não era só Vasco Santana. “Na Canção de Lisboa”, era António Silva, Beatriz Costa, Santos Carvalho. Cenas que não esquecem a quem já viu o filme. Foi seu realizador Continelli Telmo. “O Pai Tirano”, passado em grande parte no Chiado e no Grandella, que ainda conheci tão bem. Neste entravam, entre outros: Ribeirinho (impagável a cena da perseguição à Tatão, através de ruelas, escadinhas, escorregando por corrimões, escondendo-se, sei lá!), Leonor Maia, a linda Tatão, que conquistava os corações e vendia cheirinho a peso. Graça Maria, caixeirinha do Grandella e apaixonada pelo Ribeirinho, que não lhe ligava nenhuma.
E vem agora, o meu predilecto: “O Pátio das Cantigas”. Com realização de António Lopes Ribeiro, também realizador de “O Pai Tirano”, juntava um grupo de grandes senhores e senhoras. Comecemos por eles: Vasco Santana, António Silva, Ribeirinho, Barroso Lopes, António Vilar e muitos outros. Elas: Maria das Neves, Maria Paula, Maria da Graça e Laura Alves, a grande Laura Alves, além de outras.
Outros tempos, outras vidas. Mas, a verdade, é que ainda hoje, numa breve entrevista na televisão, novos e velhos se lembraram de frases destes filmes. A verdade, é que quase todos se lembraram daquele senhor gordo, de voz esquisita e riso fácil.
Morreu faz hoje 50 anos. Ainda é lembrado como merece. E ainda nos faz rir.
Agora, o único Santana de que me lembro, não é actor, representa mal, não é gordo e não lhe acho graça nenhuma.
Até amanhã