O meu Jacarandá
Em frente à minha casa há três Jacarandás. Hoje vi que um deles estava já cheio de flores. Como vou estar fora uns dias, lembrei-me de vos deixar esta foto, juntamente com os versos de Nuno Júdice.
Quem os canta é Carlos do Carmo, com música de Joaquim Campos, no seu último CD: “À Noite”.
O poema chama-se: “Lisboa Oxalá”.
Tal qual esta Lisboa, roupa posta à janela,
Tal qual esta Lisboa, roxa jacarandá,
Sei de uma outra Lisboa, de avental e chinela,
Ai Lisboa fadista de Alfama e oxalá.
Lisboa lisboeta da noite mais escura
De ruas feitas sombra, de noites e vielas,
Pisa o chão, pisa a pedra, pisa a vida que é dura,
Lisboa tão sozinha, de becos e ruelas.
Mas o rosto que espreita por detrás da cortina
É o rosto de outrora feito amor, feito agora.
Riso de maré viva numa boca ladina
Riso de maré cheia num beijo que demora.
E neste fado o deixo esquecido aqui ficar
Lisboa sem destino que o fado fez cantar,
Cidade marinheira sem ter de navegar
Caravela da noite que um dia vai chegar.
Assim me despeço de vós e da minha Lisboa, até um dia destes.
Quem há-de abrir a porta ao gato