Saudades
Conheci apenas uma Avó. Os outros já tinham partido, muitos anos antes de eu nascer. Talvez por isso, Ela foi um dos meus ídolos. Era uma avó, como as de antigamente, que não tirou o luto pelo marido, usava um carrapito branco no alto da cabeça, não saía de casa sem chapéu, com um véu de tule a esconder-lhe os olhos, uns olhos verdes esmeralda, que viam até ao fundo das almas das pessoas, sobretudo da minha. Morreu aos 98 anos, completamente lúcida. Tão lúcida, que decidiu o momento de morrer.
Era muito inteligente, culta, senhora de uma ironia, que por vezes, raiava o sarcasmo.
Mas também, sabia contar histórias de fadas, de princesas, de grandes amores. Havia uma, em que, a avósinha morria. Eu chorava, gritando sempre a mesma frase: “as avósinhas não morrem”. Ela, para não me ver chorar, respondia-me: “pois é, filha, só nas histórias”. E eu acalmava, convencida que realmente, as avósinhas não morriam.
Até que, faz hoje 32 anos, descobri, que Ela me mentira. Senti dor, amargura, senti-me enganada. Passados tantos anos, a saudade é a mesma, a dor é a mesma.
Era muito inteligente, culta, senhora de uma ironia, que por vezes, raiava o sarcasmo.
Mas também, sabia contar histórias de fadas, de princesas, de grandes amores. Havia uma, em que, a avósinha morria. Eu chorava, gritando sempre a mesma frase: “as avósinhas não morrem”. Ela, para não me ver chorar, respondia-me: “pois é, filha, só nas histórias”. E eu acalmava, convencida que realmente, as avósinhas não morriam.
Até que, faz hoje 32 anos, descobri, que Ela me mentira. Senti dor, amargura, senti-me enganada. Passados tantos anos, a saudade é a mesma, a dor é a mesma.
Tive uma prima, que foi a minha melhor amiga. Aquela que partilhava todos os meus sonhos, os meus segredos, as minhas ilusões e desilusões. Perdia-a faz hoje 16 anos, no mesmo dia e quase à mesma hora que a nossa Avósinha. É um dia de tristeza, de luto, para mim. Não consigo dizer mais nada. Só saberia falar das duas. Continuo a amá-las, a senti-las ao mesmo tempo, tão perto e tão longe. Um beijo enorme para as duas, e a eterna saudade, de quem nunca vos esquece.
Maria