O rapazinho da Lucília
Teria eu uns quinze anos, o meu Pai comprou um disco de Carlos do Carmo. Já não me recordo qual, mas foi de certeza, um dos primeiros. Pô-lo no pick-up. Eu peguei na capa e fiquei a olhar para o rosto do jovem e já belo fadista. Apaixonei-me imediatamente, perdidamente, por pouco tempo, claro. Nesse tempo as minhas paixões eram fortes e curtas.
Quando o disco acabou, o meu Pai comentou: “o rapazinho faz-se, mas ainda tem muito que aprender com a Mãe”. Eu ainda a olhar a capa, retorqui: “tomara ela”. O meu Pai olhou-me pasmado. Então tu, sabes as letras e as músicas de todos os fados da Lucília, levas o dia a cantá-los e agora sais-te com essa? Era verdade. Eu adorava a D.Lucília, sabia todos os seus fados e levava os dias a assassiná-los. Não podia era dizer ao meu Pai que o comentário dizia respeito, não ao fadista, mas à capa do disco, por me arriscar a levar um belo tabefe.
Passei a ouvir a toda a hora, “o rapazinho da Lucília”. Apaixonei-me então, por aquela voz, a um tempo forte e doce, que dizia frases de amor, de fado, de saudade. À medida que ambos crescemos, continuei a admirá-lo cada vez mais. Para o meu Pai, deixou de ser o rapazinho, sem deixar de ser o filho da Lucília.
Já ambos partiram, o meu Pai e a Mãe do Carlos. Ele continua a cantar, cada vez melhor, eu continuo à espera de cada disco que grava. Quando ouvi “À Noite”, reconheci todas as músicas, mesmo vestidas de novas letras. São todas lindas. Mas há duas que me tocam muito: “Lisboa Oxalá” e “Enredo”.
Chamam-lhe “O Charmoso”. Não sei quem lhe pôs o nome, mas está certo.
Carlos, continua a cantar. Eu vou continuar a ouvir. E mesmo sem ter já quinze anos, vou continuar a olhar a capa do disco. Só para ter a certeza que ao fim de tantos anos, a minha paixão de uns dias, teve razão de ser.
Quando o disco acabou, o meu Pai comentou: “o rapazinho faz-se, mas ainda tem muito que aprender com a Mãe”. Eu ainda a olhar a capa, retorqui: “tomara ela”. O meu Pai olhou-me pasmado. Então tu, sabes as letras e as músicas de todos os fados da Lucília, levas o dia a cantá-los e agora sais-te com essa? Era verdade. Eu adorava a D.Lucília, sabia todos os seus fados e levava os dias a assassiná-los. Não podia era dizer ao meu Pai que o comentário dizia respeito, não ao fadista, mas à capa do disco, por me arriscar a levar um belo tabefe.
Passei a ouvir a toda a hora, “o rapazinho da Lucília”. Apaixonei-me então, por aquela voz, a um tempo forte e doce, que dizia frases de amor, de fado, de saudade. À medida que ambos crescemos, continuei a admirá-lo cada vez mais. Para o meu Pai, deixou de ser o rapazinho, sem deixar de ser o filho da Lucília.
Já ambos partiram, o meu Pai e a Mãe do Carlos. Ele continua a cantar, cada vez melhor, eu continuo à espera de cada disco que grava. Quando ouvi “À Noite”, reconheci todas as músicas, mesmo vestidas de novas letras. São todas lindas. Mas há duas que me tocam muito: “Lisboa Oxalá” e “Enredo”.
Chamam-lhe “O Charmoso”. Não sei quem lhe pôs o nome, mas está certo.
Carlos, continua a cantar. Eu vou continuar a ouvir. E mesmo sem ter já quinze anos, vou continuar a olhar a capa do disco. Só para ter a certeza que ao fim de tantos anos, a minha paixão de uns dias, teve razão de ser.
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