Monday, December 31, 2007

O nosso capitão Oliveira

Hoje vou falar da minha terra. Ou melhor, de alguém da minha terra. Chamava-se Fernando Oliveira e era militar. No meu tempo de menina, o Senhor Capitão, era Presidente da Câmara. Entre ele e o meu Pai, havia um respeito, uma simpatia, que as difereças políticas nunca abalaram. Já General e comandante geral da polícia, mandou parar o carro oficial, em que seguia, para cumprimentar o meu Pai, entretanto transferido para o Porto. Assim, como sabendo a minha Mãe muito doente, pôs à disposição, quantos guardas foram precisos, para lhe irem dar sangue. 
Fez de Tomar um jardim. A Várzea Pequena, o Mouchão e sobretudo a Cerca, estavam sempre impecaveis de limpeza e sempre com flores bem tratadas.
A Cerca, era um verdadeiro encanto. Os canteiros cercados de buxo aparado  e com verdadeiras esculturas do mesmo arbusto (uma cadeira, um pato, uma esfera), tinham um sem número de flôres, de diversas cores. O parque infantil, os tanques com água limpa. A mata tinha caminhos de saibro por onde corriamos, respirando o ar puro das árvores. Ao fundo, o Convento e o Castelo esperavam-nos, com todas as suas maravilhas. No Mouchão, de novo, a relva, o saibro, a Roda e a estalagem. Havia ainda, uma pequena ponte de madeira, que era tirada no Inverno e que agora tiraram de vez.
Foi substituida por uma coisa sólida, feia, que ocupa imenso espaço ao parque. Tinha mais coisas para dizer, mas hoje só quero falar dos jardins e do General. 
Há tempos, fui ao cemitério à procura dos amigos que lá estão. Levava um ramo de rosas para pôr uma a cada um. Por acaso, passei no jazigo do General. Nem uma flôr. As lágrimas correram e metade das rosas ficaram entaladas na grade da porta.
Ontem li um artigo em que chamam ao engenheiro António Paiva, o General Oliveira dos nossos dias. Com o devido respeito por quem isto escreveu, corrijo. O engenheiro poderá ser o General Oliveira dos “seus” dias, dos meus, não.
Bom Ano para todos os Nabantinos. Bom Ano engenheiro e até um dia. Bom Ano Dr. Corvêlo de Sousa. Cuide da minha terra.
Adeus Senhor General Oliveira. Obrigado por tudo o que fez por Tomar e pela sua simpatia pelo meu Pai.
 
Posted by Maria at 00:13:32 | Permalink | No Comments »

Sunday, December 30, 2007

Uma pequena flôr azul

Fui hoje a Sesimbra levar o meu neto. Fiquei com a casa e o coração, um pouco mais vazios. Faz falta a alegria e as traquinices de uma criança.
Quando lá chegámos, esperavam-me os meus filhos e uma velha amiga. A tal flôr azul, que eles plantaram no quintal. Essa flôr tem uma história. Quando nos conhecemos, eu e o meu marido, fizemos dela o nosso símbolo.
Até por carta chegámos a mandá-la um ao outro. Nunca lhe soubemos o nome. Por isso sempre lhe chamámos: a nossa florinha azul. A minha nora(filha), num gesto de ternura, cortou um pézinho e, deu-o ao sogro para m’a dar. Está aqui, perto de mim, continua a ser o nosso símbolo, ao fim de quase quarenta e dois anos. Deu-me hoje para o romantismo. Mas quem disse que não se pode amar aos sessenta anos?
Já não tenho que ir adormecer o meu menino. Vou dormir, talvez sonhar com ele, ou com a minha pequena flôr…
Bons sonhos para todos e, até amanhã.
Posted by Maria at 00:07:38 | Permalink | No Comments »

Thursday, December 27, 2007

Crepúsculo

Li hoje uma nova crónica de António Lobo Antunes. Como de costume, gostei. Desta vez, porém, além de gostar, impressionou-me. Durante toda a vida tenho tentado explicar às pessoas, que me sinto estranha ao fim do dia, e que o pôr do sol, por mais belo que seja, me angustia, me sabe a morte. Hoje, depois de o ler, percebi melhor o que sinto. O nascer do sol, pelo contrário, alegra-me, ajuda-me a ver a vida de modo mais simples. É a diferença que existe entre o olhar de uma criança, e o olhar de alguém no fim da vida. Crepúsculo, é sem dúvida, uma bela e romântica palavra, mas é triste. Continuem a gostar do fim do dia, se quizerem. Eu fico com a madrugada.
Posted by Maria at 21:33:00 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, December 26, 2007

Depois do Natal

Afinal o meu Natal até foi bom. Depois de vários anos, consegui voltar a reunir, a minha malta. Por um dia fui de novo, mãe e avó. Tive os meus pintaínhos debaxo das asas, alimentei-os, acarinhei-os, o mais que pude. Isto, porque não sou muito expansiva, nem de grandes manifestações de amor. Sinto mais do que mostro. Eles sabem.
Cheguei ao fim do dia podre de cansaço e cheia de felicidade.
Espero, que o vosso Natal, tenha sido, senão tão bom, pelo menos com algum momento especial, algum momento a não esquecer.
Com o Ano Bom a chegar, vêm as promessas de mudar alguma coisa nas nossas vidas. Este ano, só queria que toda a gente, eu íncluida, deixassemos de olhar tanto para o nosso umbigo e, um pouco mais para os olhos uns dos outros. Não dizem que olhos são o espelho da alma? Tentemos então, olhar bem a alma de quem nos rodeia. Com tolerância, sem má língua.
Provavelmente, até amanhã. Agora, vou continuar a lamber a cria, de uma das minhas crias.
Posted by Maria at 17:03:27 | Permalink | Comments (1) »

Sunday, December 23, 2007

Quase Natal

No meu tempo de criança, este dia 23 era o dia de grandes trabalhos para as mulheres da casa. Compravam o peru, punham o bacalhau de molho, começavam a preparar os doces de Natal. Geralmente, fazia-se a árvore, um pinheiro, mais ou menos torto e que depois do Dia de Reis, ía para o lixo. O Presépio, nessa altura, tinha um lugar muito mais importante nas casas e no coração dos portugueses. Não conheciamos esse senhor, a quem chamaram Pai Natal, Santa Claus, vestido de vermelho, com grandes barbas e grande barriga. Nesse tempo era o Menino Jesus que punha no sapatinho, ingénuamente deixado ao deitar, aos seus pés, a prenda desejada e possivel,  para a bolsa para a bolsa dos Pais.  Só na manhã do dia de Natal, a nossa curiosidade era satisfeita. Bastava-nos um pequeno brinquedo, alguns bombons, e ficavamos felizes, por algum tempo.
Também nesse tempo, havia meninos para quem o Dia de Natal, era semelhante aos outros dias. Tinham a mesma fome e o mesmo frio.  Mas… Há sempre um mas em tudo. É claro, que já havia violência contra algumas crianças. É verdade que havia exploração do trabalho infantil e pouco cuidado com a saúde e, a educação era quase um luxo.
Que fizeram da Declaração dos Direitos da Criança? Que fizeram dos valores que eram a base da nossa formação?
Que mundo lhes vamos deixar? Em que mundo tentam já sobreviver alguns?
Vamos lá viver mais um Natal. Se será feliz, ou não, só depois o saberemos. Para muitos não será, certamente.
Eu, vou tentar, sem me esquecer dos outros.
Prometo não estar sempre como hoje. Fazia hoje anos a minha melhor amiga que já se foi embora há muito tempo. Tenho saudades dos meus mortos. Mas vou ter comigo, o meu marido, os meus filhos e os meus netos.
Feliz Natal.
Posted by Maria at 18:28:57 | Permalink | No Comments »

Saturday, December 22, 2007

Porquê “Alcatruzes da Roda”?

Porque, a Roda é para mim, um dos sítios mágicos da minha linda terra. Tenham calma que eu não vou falar de esoterismos. Já há muita gente a fazê-lo e, por acaso é tema que não me diz nada. Também não vou falar só de Tomar, nem só de mim. Criei este blog para falar de tudo o que me vier à cabeça. Peço, que no caso de fazerem comentários, critiquem, digam mal à vontade, mas não incluam palavras pouco próprias, ou ofensivas, até para quem as escreve. A crítica, desde que seja justa e construtiva, será sempre bem vinda, aceite e até grata. Por hoje é tudo. O Natal está a chegar e, estou cansada. A propósito: Bom Natal para todos. Sintam-se felizes, mas pensem um pouco naqueles, que por uma, ou outra razão, não terão Natal.
                      Até breve.

Posted by Maria at 23:18:24 | Permalink | Comments (1) »